O dia chegou.
Éramos jovens, dúvidas e curiosidades sobre o tema que é tabu no
Cristianismo: Sexualidade Cristã.
Fizemos perguntas, obtemos algumas respostas, adequadas às nossas
idades, ao lugar e ao momento.
Foi corajoso organizarem uma palestra sobre um assunto tão prazeroso e espinhoso para
os adolescentes e jovens solteiros dentro de uma Igreja pentecostal. Quanto a
isso tenho, que elogiar a iniciativa, mas a polêmica ficou no final, quando o
pastor contou a experiência dele no ato sexual após o casamento.
Narrou, o orgulhoso pastor, que, no ato sexual, quando chegou ao êxtase e
ejaculou dentro da esposa dele, desatou a babujar efusivamente uma rajada de
línguas estranhas. Afirmava o mesmo que o sexo não é algo meramente carnal, mas
também é algo espiritual, tão espiritual ao ponto de ‘sentir’ o poder de Deus
ao se refestelar nas carnes maritais.
Naquele dia fiquei pensando: Como seria possível unir o êxtase carnal
com o êxtase espiritual ao ponto do indivíduo bradar em línguas estranhas? Não
parecia um conceito um tanto pagão unir elementos aparentemente tão
heterogêneos e díspares?
Já meus amigos, novos convertidos e mais experientes na arte do
coito, já tinham outras abstrações, e olhavam o andar da pastora com os olhos
um tanto curiosos e menos inocentes.
Depois de alguns anos, comecei a estudar mais sobre o assunto. Fiquei sabendo que
os povos pagãos dedicavam seus cultos a deusas como Aserá, onde seus adoradores
faziam sexo com as sacerdotisas com o objetivo de participar do poder
fecundante da deusa, chegando assim à’ êxtases' espirituais.
Será que o pastor estava fazendo um sexo pagão?
Sinceramente não sei, nem me interessa saber. O que penso é que o pastor
quis super espiritualizar algo que a meu ver começa na cabeça de um falo e termina
no oásis de uma vulva. E ainda expôs a intimidade da esposa, como que jogando
uma carne fresca no mar repleto de piranhas em jejum.
Não nego que a espiritualidade está relacionada a todos os pontos da
nossa existência, mas falar em línguas estranhas após ejacular no fim do coito
marital, se não é pagão está próximo de uma blasfêmia contra o Espirito Santo.
O gozo do Espírito Santo não tem nada a ver com o homem que goza.
Referências:

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